sábado, 25 de dezembro de 2010

entorpeci

entorpeci a mente
eu pirei, quando a onda passou
foi tudo de repente
desliguei
mas a luz não acabou


eu tinha uma lanterna no armário
um maço de velas no bolso
me encontrei trancado igual otário
e a gravata enforcava meu pescoço


mas não adianta
não há nó que não se poça cortar
a pipa só levanta, com a linha,
e com o vento à soprar


quando acordei
era domingo de manhã de sol bem quente
e não há lei, que eu vi
que dispense a noite pra dormir, da gente


mas tome, vide bula
banque o psiquiatra amigão
que diz na cara dura
"a gangue do santinho que não tá com nada, está indo pra prisão"


beba laranja mecânica
corra uns quilômetros meios
e evite pensar. Comida orgânica,
faz bem pro paladar dos cheios


estudei a matemática do sobrenome
não entendi na aritmética e na regra de três
como se pode ser mais ou menos nome
se todos são iguais, cachorro, escravo, gato e o freguês


a luz iluminou o meu apartamento
foi quando eu vi que não estava sozinho
mas o mundo social é um tanto ciumento
roubou os meus amigos e eu fiquei, estranho no ninho


a onda voltou, eu não peguei
fiquei na maré mansa, numa dança ospicial
porque surfista já tem muito, eu sei
agora eu quero ver pegar a onda legal

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